A1BA67D6-B7F5-4EE9-B96E-A3C6C6A729C2TIM banca virtual
99BC25CD-9209-40C8-AC3C-7870EBF636C3

Publicado em 06 de agosto de 2022

Sobre tolerância e filosofia

Nascido em Londrina no Paraná, o filósofo, professor e escritor Mário Sergio Cortella, 68 anos, agora é cidadão de Porto Alegre. O título lhe foi concedido, na noite de segunda-feira, em solenidade na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. O autor da proposta foi o vereador Moisés Barboza (PSDB). Consagrado na área da Educação, Cortella, formado em Filosofia em 1975, concluiu seu doutorado em Educação pela PUC-SP em 1992, sob a orientação de Paulo Freire. Além da homenagem, o filósofo veio dar uma palestra na PUCRS. O autor de livros como “Qual é a tua obra?” e “Pensar bem nos faz bem!” concedeu uma breve entrevista para o Correio do Povo.

O senhor, que sempre falou que era confundindo com gaúcho por causa do sotaque, agora recebe esse título de cidadão Porto-alegrense. Como é?

Gostei demais dessa ideia. Eu conheço o Rio Grande há mais de meio século, ainda quando era jovem passei por aqui. É muito honrosa essa condição, de ter esse tipo de partilha. É uma homenagem que dá mérito, não a mim exclusivamente, mas também a mim, mais do que especial. Eu só não falo que é “trilegal”, porque eu não sou daqui (risos).

O senhor ficou muito conhecido pelo vídeo “Com quem você pensa que está falando”. Esse vídeo ainda é atual? 

Ele é bastante. Ele apareceu no circuito do mundo digital quando apareceu o mundo digital, ele tem mais de 20 anos e continua tendo gente arrogante e tola precisando assistir, não a mim, mas a qualquer reflexão que traga um pouco da humildade para a gente não perder a nossa vida totalmente.

O senhor escreveu o livro “Qual a tua obra?”. O que significa deixar um legado?

É a obra que cada pessoa tem que ter e deixar dada. Porque a nossa mortalidade é um fato e nós não podemos desperdiçar a nossa vida com tolices.

Hoje em dia existe essa popularidade sua e de outros pensadores como o Luis Felipe Pondé, Leandro Karnal e Clóvis de Barros Filho. A sociedade entende, compreende, mais vocês agora?

Não necessariamente, mas é necessário que a pessoa da área do pensamento e da reflexão também tenha um tipo de partilha no dia a dia. O fato de alguns de nós terem se tornado mais populares, em função do mundo digital e da mídia em geral, é uma coisa muito animadora. Não é só nós que fazemos isso, mas nós estamos mais na mídia no dia a dia e eu acho isso bom demais.

Como o senhor se denomina? Filósofo, pensador ou somente professor? 

Sou professor há mais de 40 anos, de Filosofia. Até uns dez anos nós tínhamos muito pudor de ser chamado de filósofo porque isso estava em um patamar mais elevado. Mais aí a gente começou a admitir essa ideia de ser chamado e assim me considero, nesse sentido profissional do termo.

Nos dias de hoje, como lidar com a intolerância?

Recusando a intolerância. É preciso ser intolerante com os intolerantes. Tolerar os intolerantes é admitir que eles usem a tolerância para destruí-la, portanto, é uma questão de autoproteção.

O que o senhor recomenda na relação com pessoas que pensam diferente do que a gente pensa? 

Que a gente acolha o pensamento. Uma das coisas boas na vida é ser capaz de pensar de modo diferente. Mas alguém que pensa diferente de mim não necessariamente está errada. Não é porque penso deste modo que estou certo. É preciso ouvir para depois decidir.

É isso que falta na nossa sociedade?

Tem faltado. Não é só isso, mas é uma das coisas que falta.

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar a sua experiência

Para saber mais sobre os cookies que usamos, consulte nossa política de privacidade.